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  • 13 Oct, 2026

Fifa propõe vender parte dos direitos comerciais da Copa por US$20 bi; federações criticam riscos à governança, conflitos de interesse e falta de consulta.

A Fifa anunciou um plano para criar uma subsidiária, a FIFA Forward Enterprise (FFE), que permitiria vender participação minoritária nos direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados por cerca de US$ 20 bilhões. A proposta, divulgada na imprensa em 30 de julho de 2026, provocou críticas de federações, dirigentes e especialistas por possíveis riscos à governança e à autonomia do futebol.

O que é a proposta

O projeto prevê a transferência de parte dos direitos comerciais da Copa para investidores por meio da nova estrutura, com aporte estimado em US$ 20 bilhões. A Fifa afirma que os recursos obtidos seriam reinvestidos no desenvolvimento do futebol.

Quem está envolvido

O plano é liderado pela direção da Fifa, sob o comando de Gianni Infantino. Entre investidores mencionados no contexto do projeto aparece a Thrive Eternal, ligada a Joshua Kushner. Greg Maffei, que esteve à frente da Liberty Media após a aquisição da Fórmula 1, atua como conselheiro comercial do projeto.

Como a Fifa pretende viabilizar a adesão das federações

Como incentivo, a Fifa propõe repasses lineares às 211 associações nacionais: US$ 20 milhões por associação em 2027, com aumento para US$ 24 milhões em 2035. As federações têm até 19 de setembro para informar se aceitam o plano; quem não concordar corre o risco de ter esses valores reduzidos ou retirados.

Por que a proposta gera controvérsia

Critérios apontados por opositores incluem potencial conflito de interesses em razão das relações entre dirigentes da Fifa e figuras ligadas a investidores, falta de transparência no processo, risco de corrupção e dúvidas sobre a legitimidade de uma decisão dessa magnitude sem consulta ampla às confederações continentais e às associações nacionais.

Especialistas ressaltam ainda que a Copa do Mundo é vista por muitos como um patrimônio cultural global, não apenas um ativo comercial. Bret Myers, professor de negócios esportivos, observou que a iniciativa representaria uma mudança significativa na forma de financiamento e exploração comercial do torneio.

Miguel Maduro, ex-presidente do Comitê de Governança, Auditoria e Conformidade da Fifa, afirmou que a entidade concentra grande volume de recursos e que faltam mecanismos eficazes de freios e contrapesos para assegurar o uso adequado desses fundos pelas associações nacionais.

Reação das confederações e dos dirigentes

A resposta internacional foi majoritariamente crítica. Federações nacionais e confederações expressaram insatisfação, em especial pela ausência de consultas prévias. A Confederação Asiática e outras entidades continentais disseram não ter sido consultadas e manifestaram preocupação. A União de Associações Europeias de Futebol (Uefa) defendeu que "o futebol não pertence à Fifa para ser vendido" e prepara debates internos sobre o tema.

Dirigentes influentes no futebol europeu alertaram que, se as confederações se mantiverem unidas, a posição contrária ao projeto pode ter peso decisivo. Ao mesmo tempo, há quem avalie que a oferta financeira pode alterar as relações políticas internas e levar parte das associações a aceitar a proposta ao longo do tempo.

Possíveis impactos e cenários

Críticos temem que o acordo seja o primeiro passo para uma privatização parcial da principal competição do futebol mundial e para maior comercialização das competições organizadas pela Fifa, como uma tentativa de ampliar o calendário e a influência sobre torneios de clubes. Por outro lado, defensores do modelo citam precedentes no esporte americano e o caso da Fórmula 1, que passou por transformação após aquisição por investidores.

O episódio pode levar a alianças entre confederações contrárias ao projeto, influenciar as próximas eleições da Fifa e, em último caso, gerar boicotes ou pressões para rever o modelo proposto. Analistas alertam que as decisões tomadas agora terão efeitos duradouros sobre a governança, a autonomia e a natureza global da Copa do Mundo.

Fonte das informações: Deutsche Welle

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