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  • 12 Oct, 2026

Operação em Washington investiga suposta fraude migratória envolvendo documentos da deputada Ilhan Omar; ação ocorre semanas antes das eleições.

Autoridades dos Estados Unidos realizaram na madrugada desta segunda-feira (12) uma operação na residência da deputada federal Ilhan Omar, do estado de Minnesota, na região de Washington. Omar, eleita pelo Partido Democrata, é uma crítica aberta do ex-presidente Donald Trump.

Segundo uma pessoa a par da investigação, a ação está relacionada a uma suposta fraude imigratória, com parte da apuração voltada à documentação de imigração preenchida pelo pai de Omar quando ela ainda era criança.

Em publicações nas redes sociais, a deputada afirmou que o governo federal está sendo instrumentalizado para atacar uma inimiga política do presidente. "Há dez anos, Trump me persegue com mentiras infundadas e campanhas de difamação", disse Omar. "Esta é apenas a mais recente escalada em sua campanha de intimidação política. Não serei silenciada."

Parlamentares democratas classificaram a operação como abuso de poder. Omar, de 44 anos, disputa um quinto mandato na Câmara dos Deputados nas eleições de meio de mandato previstas para 3 de novembro. A diligência ocorreu pouco mais de três semanas antes do pleito, em um momento em que o partido do ex-presidente busca manter o controle do Congresso.

Tom Homan, responsável pela política de fronteiras do governo, afirmou que o Departamento de Justiça conduz a investigação em conjunto com o Departamento de Segurança Interna, mas disse não poder detalhar o andamento da apuração.

O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, nomeado por Trump, havia afirmado no mês passado a um comunicador conservador que "alguma coisa iria acontecer" na investigação sobre a entrada da família de Omar nos Estados Unidos e declarou que, se for comprovado que alguém "não deveria estar aqui desde o início", seria deportado.

Em nota conjunta, o líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, e outros membros da liderança do partido classificaram a operação como "profundamente perturbadora" e levantaram suspeitas sobre o uso do poder federal para atacar adversários políticos. "Os republicanos têm perseguido implacavelmente" Omar, afirmaram, e prometeram buscar responsabilização pelo que definiram como abuso de poder arbitrário.

Autoridades e dirigentes democratas de Minnesota também criticaram a ação. O governador do estado, Tim Walz, escreveu nas redes sociais que o presidente está "abusando de seu poder para perseguir adversários políticos semanas antes de uma eleição".

Normas do Departamento de Justiça proíbem procuradores e agentes federais de programar ações com o objetivo de influenciar o resultado de eleições ou de beneficiar candidatos ou partidos. Historicamente, o departamento evita adotar medidas investigativas contra candidatos nas cerca de 60 dias anteriores a um pleito, ressalta o contexto institucional relacionado ao caso.

Omar tem sido alvo frequente de ataques verbais do ex-presidente, que já dirigiu declarações contrárias à comunidade somali-americana e a parlamentares muçulmanas. Ela afirma que a atenção de Trump se transformou em uma "obsessão doentia e perturbadora".

A deputada também relatou que ela e sua família receberam ameaças de morte, que atribui à retórica de ódio no debate público. No mês passado, um homem de Minnesota que esguichou vinagre em Omar foi condenado a um ano e dois meses de prisão após se declarar culpado de agredir uma autoridade federal.

A investigação criminal segue em curso e autoridades responsáveis têm se recusado a divulgar mais detalhes sobre a operação e seus desdobramentos.

Fonte da imagem: REUTERS/Brian Snyder

Fonte das informações: g1.globo.com

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