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  • 12 Oct, 2026

Caso revela abusos em residência assistida estatal; vítima relatou agressões por anos; governo inspecionou 1.507 lares e identificou 33 casos suspeitos.

Um diretor de uma residência assistida estatal para pessoas com deficiência intelectual em Incheon foi condenado a 15 anos de prisão por estupro de moradoras. O caso veio à tona em fevereiro de 2025 e expôs falhas no atendimento e na fiscalização de instituições públicas destinadas a pessoas com deficiência.

A vítima que denunciou o crime relata que passou a morar na instituição, chamada Saekdongwon, em 2016 e que os abusos ocorreram pouco tempo depois. Ela tem deficiência intelectual, dificuldade de comunicação verbal e contou os episódios por meio de gestos e frases curtas, com o auxílio de uma advogada.

O caso ganhou atenção quando a vítima sofreu um corte na cabeça em um episódio de tentativa de ataque, o que motivou sua mãe a retirá‑la da instituição e apresentar a denúncia à polícia. Segundo a defesa, a unidade levou a mulher ao hospital e só avisou a família após o atendimento.

Durante a investigação, depoimentos de três moradoras foram considerados confiáveis pela Justiça, o que levou à condenação do diretor — identificado apenas pelo sobrenome — pelo estupro de duas delas e por violência em um terceiro caso. O réu nega as acusações e interpôs recurso.

Ativistas e grupos de defesa dos direitos das pessoas com deficiência criticaram o processo investigativo por não reconhecer adequadamente relatos de moradoras com dificuldades severas de comunicação. Pesquisadores que avaliaram os moradores afirmaram ter aceitado apenas relatos que puderam ser descritos em sentenças completas, e organizações afirmam que esse critério deixou potenciais vítimas sem voz.

Além das críticas sobre o método de coleta de depoimentos, houve controvérsia sobre pedidos de clemência apresentados em favor do réu por organizações de bem‑estar, o que motivou repúdio de grupos que afirmam que serviços prestados no passado não isentam responsabilidade por crimes.

Em resposta ao escândalo, autoridades locais determinaram o fechamento da instituição e revogaram a licença da fundação responsável, embora a desativação tenha sido postergada até a realocação dos moradores e definição de planos individuais de apoio para vida independente. A instituição recorreu administrativamente da revogação da licença.

O episódio também provocou uma revisão mais ampla: o governo informou ter fiscalizado residências para pessoas com deficiência em todo o país e identificado casos suspeitos que estão sendo investigados. Foi constituída uma equipe de resposta interministerial para fortalecer a proteção e a fiscalização desses locais.

A seguir, resumo dos principais números relacionados ao caso e às ações das autoridades.

ItemValor
Inspeções realizadas em residências para pessoas com deficiência1.507
Casos suspeitos identificados nas inspeções33
Investigações abertas até o momento8
Moradores atualmente em Saekdongwon33
Pena aplicada ao diretor15 anos de prisão
Ano em que a vítima passou a morar na instituição2016
Mês em que o caso veio a públicofevereiro de 2025

Autoridades locais e pesquisadores envolveram‑se em avaliações complementares. Um relatório encomendado por autoridades apontou indícios de abuso envolvendo mais residentes, mas nem todas essas conclusões foram avaliadas no julgamento crim inal.

Especialistas e organizações pedem mudanças nos procedimentos de apuração para que relatos de vítimas com limitações de comunicação sejam ouvidos e interpretados por profissionais treinados em comunicação alternativa e aumentem as chances de identificação precoce de abusos.

O caso reacende questionamentos sobre por que episódios de violência sexual contra pessoas com deficiência não foram evitados mesmo após reformas legais anteriores destinadas a ampliar proteção e penas para crimes cometidos por funcionários de instituições.

As autoridades afirmaram que fortalecerão inspeções com base em fatores de risco e promoverão vistorias conjuntas envolvendo polícia, órgãos locais e organizações de defesa dos direitos das pessoas com deficiência, além de elaborar planos individuais para os moradores afetados.

Enquanto isso, familiares e ativistas continuam cobrando investigação completa de todas as denúncias e mudanças permanentes na fiscalização e no atendimento em residências para pessoas com deficiência.

Fonte das informações: documentos judiciais, depoimentos das vítimas e autoridades locais

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