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  • 13 Oct, 2026

Fumaça das queimadas alcança Porto Velho; Inpe registra milhares de focos no Pará, Amazonas e Rondônia, e há registros de dispensa de reforços federais.

A fumaça proveniente das queimadas na Amazônia, que já encobre Manaus, passou a ser observada em Porto Velho (Rondônia) há pelo menos dois dias, segundo relatos de moradores. O fenômeno evidencia que os efeitos das queimadas ultrapassam fronteiras estaduais e comprometem a qualidade do ar em cidades distantes dos focos de incêndio.

O transporte da fumaça ocorre pelas correntes atmosféricas: ventos e circulação do ar carregam partículas suspensas para áreas além dos locais onde o fogo está ativo. A intensidade e a direção desse deslocamento dependem das condições meteorológicas locais.

Em Manaus, a poluição gerada pelos incêndios aumentou a preocupação com a saúde pública; em Porto Velho, a chegada da fumaça também levanta alertas sobre riscos respiratórios. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas são os grupos mais vulneráveis à exposição à poluição atmosférica.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), por meio do sistema BDQueimadas, registraram milhares de focos de calor na região entre 12 de setembro e 12 de outubro, com concentrações diferentes por estado. É importante observar que os focos detectados por satélite indicam possíveis ocorrências de fogo e não correspondem necessariamente ao número de incêndios confirmados em campo.

Os registros de focos de calor nos três estados entre 12 de setembro e 12 de outubro são:

EstadoFocos de calor (12/09–12/10)
Pará6.978
Amazonas3.546
Rondônia469

Em um panorama nacional compilado pelo BDQueimadas até esta segunda-feira (12), o Pará liderava o ranking de focos de calor, seguido por outros estados:

PosiçãoEstadoFocos de calor (acumulado)
1ºPará20.090
2ºBahia5.558
3ºAmazonas4.730
11ºRondônia798

Alguns municípios concentraram grande número de focos nas últimas 24 horas, segundo o levantamento:

Fumaça das queimadas afeta Porto Velho, suspendendo aulas presenciais.
Fumaça das queimadas afeta Porto Velho, suspendendo aulas presenciais.
MunicípioEstadoFocos (últimas 24 h)
UruaráPará3.394
PortelPará1.994
AltamiraPará1.354
AutazesAmazonas691
ItacoatiaraAmazonas468
LábreaAmazonas367

Documentos oficiais apontam que o governo do Amazonas recusou, em duas ocasiões no fim de setembro, o envio imediato de reforços federais para combate aos incêndios. Em ofício do Ibama, consta que o comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas declinou do acionamento de equipes em 25 de setembro; o Ministério do Meio Ambiente registrou, em 30 de setembro, comunicação do governo estadual informando que não precisava mais de reforço após chuvas que ajudaram a controlar focos.

Apesar dessas comunicações, o governo federal enviou, no fim de semana seguinte às menções oficiais, quatro aeronaves e mais de 200 brigadistas para reforçar as operações no Amazonas. O senador Omar Aziz contestou criticas de omissão federal, afirmando que recursos haviam sido destinados ao então governador Wilson Lima para a aquisição de uma aeronave de combate a incêndios, e criticou a insuficiência do planejamento preventivo.

Rondônia já enfrentou episódios expressivos de queimadas entre 2020 e 2022. Em 2024, o estado voltou a registrar números elevados em períodos críticos, com 9.987 focos de calor registrados em levantamento que considera o período mais crítico daquele ano. A grave estiagem e investigações sobre incêndios criminosos foram citadas como fatores que agravam o problema.

Especialistas e autoridades ressaltam que, além do combate emergencial, é necessária uma política permanente de prevenção, fiscalização e monitoramento para reduzir a recorrência das queimadas. A mobilização coordenada entre os governos federal, estaduais e municipais, bem como o preparo antecipado de brigadistas e equipamentos, são apontados como medidas essenciais para mitigar riscos à saúde e ao meio ambiente.

Enquanto persistem os questionamentos sobre a atuação de diferentes esferas de governo, a presença de fumaça em Porto Velho reforça que os impactos das queimadas na Amazônia alcançam áreas distantes e exigem respostas articuladas e contínuas.

Fonte das informações: News Rondônia

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