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Fumaça das queimadas alcança Porto Velho; Inpe registra milhares de focos no Pará, Amazonas e Rondônia, e há registros de dispensa de reforços federais.
A fumaça proveniente das queimadas na Amazônia, que já encobre Manaus, passou a ser observada em Porto Velho (Rondônia) há pelo menos dois dias, segundo relatos de moradores. O fenômeno evidencia que os efeitos das queimadas ultrapassam fronteiras estaduais e comprometem a qualidade do ar em cidades distantes dos focos de incêndio.
O transporte da fumaça ocorre pelas correntes atmosféricas: ventos e circulação do ar carregam partículas suspensas para áreas além dos locais onde o fogo está ativo. A intensidade e a direção desse deslocamento dependem das condições meteorológicas locais.
Em Manaus, a poluição gerada pelos incêndios aumentou a preocupação com a saúde pública; em Porto Velho, a chegada da fumaça também levanta alertas sobre riscos respiratórios. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas são os grupos mais vulneráveis à exposição à poluição atmosférica.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), por meio do sistema BDQueimadas, registraram milhares de focos de calor na região entre 12 de setembro e 12 de outubro, com concentrações diferentes por estado. É importante observar que os focos detectados por satélite indicam possíveis ocorrências de fogo e não correspondem necessariamente ao número de incêndios confirmados em campo.
Os registros de focos de calor nos três estados entre 12 de setembro e 12 de outubro são:
| Estado | Focos de calor (12/09–12/10) |
|---|---|
| Pará | 6.978 |
| Amazonas | 3.546 |
| Rondônia | 469 |
Em um panorama nacional compilado pelo BDQueimadas até esta segunda-feira (12), o Pará liderava o ranking de focos de calor, seguido por outros estados:
| Posição | Estado | Focos de calor (acumulado) |
|---|---|---|
| 1º | Pará | 20.090 |
| 2º | Bahia | 5.558 |
| 3º | Amazonas | 4.730 |
| 11º | Rondônia | 798 |
Alguns municípios concentraram grande número de focos nas últimas 24 horas, segundo o levantamento:

| Município | Estado | Focos (últimas 24 h) |
|---|---|---|
| Uruará | Pará | 3.394 |
| Portel | Pará | 1.994 |
| Altamira | Pará | 1.354 |
| Autazes | Amazonas | 691 |
| Itacoatiara | Amazonas | 468 |
| Lábrea | Amazonas | 367 |
Documentos oficiais apontam que o governo do Amazonas recusou, em duas ocasiões no fim de setembro, o envio imediato de reforços federais para combate aos incêndios. Em ofício do Ibama, consta que o comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas declinou do acionamento de equipes em 25 de setembro; o Ministério do Meio Ambiente registrou, em 30 de setembro, comunicação do governo estadual informando que não precisava mais de reforço após chuvas que ajudaram a controlar focos.
Apesar dessas comunicações, o governo federal enviou, no fim de semana seguinte às menções oficiais, quatro aeronaves e mais de 200 brigadistas para reforçar as operações no Amazonas. O senador Omar Aziz contestou criticas de omissão federal, afirmando que recursos haviam sido destinados ao então governador Wilson Lima para a aquisição de uma aeronave de combate a incêndios, e criticou a insuficiência do planejamento preventivo.
Rondônia já enfrentou episódios expressivos de queimadas entre 2020 e 2022. Em 2024, o estado voltou a registrar números elevados em períodos críticos, com 9.987 focos de calor registrados em levantamento que considera o período mais crítico daquele ano. A grave estiagem e investigações sobre incêndios criminosos foram citadas como fatores que agravam o problema.
Especialistas e autoridades ressaltam que, além do combate emergencial, é necessária uma política permanente de prevenção, fiscalização e monitoramento para reduzir a recorrência das queimadas. A mobilização coordenada entre os governos federal, estaduais e municipais, bem como o preparo antecipado de brigadistas e equipamentos, são apontados como medidas essenciais para mitigar riscos à saúde e ao meio ambiente.
Enquanto persistem os questionamentos sobre a atuação de diferentes esferas de governo, a presença de fumaça em Porto Velho reforça que os impactos das queimadas na Amazônia alcançam áreas distantes e exigem respostas articuladas e contínuas.
Fonte das informações: News Rondônia
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