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  • 13 Oct, 2026

Procuradoria diz que Hanning teria repassado cerca de 2.000 documentos ultrassecretos do BND a um serviço estrangeiro, com vazamentos até 2022.

A Procuradoria-Geral da Alemanha prendeu nesta terça-feira (6) o ex-diretor do Serviço Federal de Inteligência (BND), August Hanning, de 80 anos, sob suspeita de espionagem e traição por ter divulgado segredos de Estado a um serviço de inteligência estrangeiro cuja identidade não foi divulgada.

Agentes da polícia criminal localizaram Hanning em sua residência em Nordwalde, perto de Münster, após buscas em que foi apreendido um dispositivo eletrônico com documentos ultrassecretos do BND datados de junho de 2022.

Os documentos foram inicialmente encontrados por investigadores do Departamento Estadual de Investigações Criminais (LKA) da Baixa Saxônia durante apurações relacionadas a outro caso e, posteriormente, entregues às autoridades federais. Em maio, a Procuradoria-Geral abriu uma investigação sigilosa contra Hanning e um suposto informante.

Também foi preso Manfred D., antigo chefe de gabinete de Hanning, acusado de cumplicidade. Segundo a acusação, Manfred, que trabalhou no BND até o primeiro semestre de 2026, teria repassado documentos confidenciais a Hanning mediante pagamento pelo menos até 2022 — ao todo, cerca de 2 mil arquivos.

Entre os documentos estariam relatórios preparados para reuniões na Chancelaria Federal em que os principais dirigentes das agências de inteligência alemãs trocam informações. O material conteria dados sensíveis sobre o programa nuclear iraniano, informações sobre as Forças Armadas russas e material obtido de agências de inteligência aliadas.

Autoridades alertam que um vazamento desse tipo poderia abalar a confiança de parceiros estrangeiros no BND e reduzir o intercâmbio de informações. A investigação aponta que Hanning chegou a elaborar, com base nesses documentos, ao menos uma análise de segurança para um serviço estrangeiro; nem o país nem o serviço foram informados pelas autoridades. Fontes de imprensa indicam que as acusações não estariam relacionadas à Rússia.

Em outra situação apontada na investigação, Hanning teria usado informações internas do BND em comunicações com um agente estrangeiro.

Se confirmadas, as acusações contra Hanning podem constituir um escândalo de grande magnitude: nunca houve na Alemanha suspeita comparável envolvendo um ex-funcionário de tão alto escalão nos serviços secretos. Para o BND, trata-se também do segundo caso grave de espionagem em poucos anos; outro ex-chefe de departamento do serviço responde a processo sob acusação de espionagem para a Rússia em 2022.

Hanning ocupou cargos de destaque na estrutura de segurança alemã por décadas. Em 1998, tornou-se diretor do BND e, ao deixar o cargo no fim de 2005, passou a exercer o posto de secretário de Estado no Ministério Federal do Interior.

Fonte das informações: g1.globo.com

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