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Comentários e perfis no TikTok usam códigos para levar interessados ao Telegram, onde conteúdos de abuso infantil são vendidos desde R$10; autoridades alertam.
Criminosos estão usando publicações no TikTok para atrair interessados e direcioná‑los a grupos, chats e páginas no Telegram onde vendem conteúdo de abuso sexual infantil. A divulgação ocorre principalmente nos comentários, por meio de códigos que contornam os filtros das plataformas.
Criminosos usam TikTok para vender abuso infantil no Telegram — vídeo publicado no Globoplay.
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Os anúncios no Telegram oferecem pacotes com fotos e vídeos; os preços identificados vão de R$ 10 a cerca de R$ 130, com pagamentos solicitados por PIX ou criptomoedas. Em muitos casos os vendedores oferecem amostras gratuitas antes da confirmação do pagamento e incentivam compradores a ajudar na divulgação para obter acesso a novos conteúdos.
O esquema se aproveita de vídeos no TikTok que nem sempre têm relação aparente com o material anunciado — há publicações aparentemente inofensivas cujos comentários concentram as instruções para ingresso nos canais que comercializam o conteúdo.
Os responsáveis pela promoção usam códigos e termos codificados nos comentários e na biografia para indicar convites e links. Esses códigos não serão divulgados nesta reportagem para evitar a propagação do esquema.
Há três formas principais de comercialização observadas dentro do Telegram:
Ao seguir um convite, o usuário costuma visualizar uma prévia do conteúdo dentro do Telegram — às vezes apresentada por um vídeo que se autodestrói após a primeira visualização — e, após a confirmação do pagamento, recebe os arquivos diretamente na conversa.
A seguir, exemplos de pacotes e preços identificados em páginas e grupos ligados à prática:
| Pacote | Preço informado | Observação |
|---|---|---|
| Acesso a grupo privado com grande volume de vídeos | US$ 25 (≈ R$ 130) | Acesso a acervo com milhares de vídeos |
| Pacote intermediário | US$ 17,50 (≈ R$ 90) | Quantidade intermediária de arquivos |
| Pacote menor | US$ 11,99 (≈ R$ 62) | Quantidade reduzida |
| Pacote em reais — 3 GB | R$ 10 | Envio direto via conversa no Telegram |
| Pacote em reais — 15 GB | R$ 35 | Maior volume de arquivos |
Os pagamentos aceitos incluem PIX e criptomoedas (como bitcoin e ether). Investigações policiais apontam que criminosos costumam usar contas de terceiros para receber valores, mas transações por PIX deixam rastros que podem auxiliar na identificação de compradores.
O uso do TikTok como porta de entrada também envolve estratégias para ampliar o alcance: relatos indicam que, em alguns canais, compradores recebem vantagens por compartilhar links na própria rede social, transformando assim os interessados em divulgadores do material.
Especialistas em proteção de crianças e adolescentes alertam para a facilidade de acesso a esse tipo de conteúdo e ressaltam que a produção, a divulgação e a aquisição são crimes. Ana Cláudia Cifali, coordenadora jurídica do Instituto Alana, afirma que toda a cadeia — de quem produz a quem recebe — deve ser responsabilizada.
Uma alteração legislativa sancionada em 6 de agosto de 2026 endureceu as penas: para quem produz ou vende conteúdo de violência sexual contra crianças e adolescentes, a pena passou a ser de 4 a 10 anos de reclusão, além de multa; para quem adquire, possui ou mantém o material, a punição é de 3 a 6 anos de reclusão e multa. A lei também passa a englobar representações geradas por inteligência artificial.
Plataformas informaram que proíbem esse tipo de conteúdo e que removem contas, canais e postagens quando identificados. O Telegram destacou ter excluído centenas de milhares de grupos e canais relacionados a material abusivo; o TikTok declarou que remove conteúdos e bane contas envolvidas conforme seus sistemas de fiscalização.
Ferramentas de análise apontam que muitos dos comentários e perfis ligados à divulgação estavam em espanhol, com estimativa de localização de parte dos perfis na Europa — principalmente Espanha, Portugal e Polônia —, mas a localização exata dos usuários nem sempre pode ser confirmada.
Algumas buscas no TikTok são bloqueadas quando relacionadas a termos ligados ao crime, mas outras combinações ou códigos continuam permitindo a circulação de publicações e comentários que direcionam interessados.
Para denunciar casos de abuso sexual infantil, procure as autoridades policiais competentes, use os canais oficiais de denúncia das próprias plataformas e, no Brasil, os serviços públicos de atendimento a vítimas. Denúncias ajudam a identificar redes criminosas e a proteger crianças e adolescentes.
Fonte das informações: g1
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