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  • 17 Oct, 2026

Relatório da PF detalha mensagens e documentos vazados a Willer Tomaz; investigação aponta pareceres alinhados e possível vínculo com Flávio Bolsonaro.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) abriu investigação e exonerou, nesta sexta-feira (16), um servidor da área de tecnologia suspeito de repassar minutas e informações internas do tribunal a um advogado ligado ao senador Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo relatório da Polícia Federal (PF) encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), as mensagens mostram que Humberto Fontoura Pradera, então secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do STJ, trocou informações com o advogado Willer Tomaz. Em um dos diálogos, Pradera informou que duas pessoas haviam sido designadas para tratar de determinado assunto e prometeu manter o advogado informado. Em outro trecho, ele teria enviado foto de documento exibido na tela de um computador.

O STJ informou que o presidente do tribunal, ministro Luis Felipe Salomão, tomou conhecimento dos fatos e que um procedimento interno para apuração havia sido instaurado na semana anterior. Como Pradera ocupava cargo de confiança e não era concursado, foi exonerado nesta sexta. O tribunal acrescentou que as medidas criminais estão em andamento e são sigilosas.

O relatório da PF indica ainda que Pradera chegou a identificar, em mensagem, o processo REsp 2122969 e explicou ao advogado que a tutela teria perdido efeito em razão do julgamento, o que, segundo os investigadores, demonstra o compartilhamento de informações processuais e análise de seus possíveis efeitos.

Além das mensagens com Pradera, o documento aponta que o advogado Willer Tomaz manteve contato com o subprocurador-geral da República Antônio Carlos Simões Martins Soares, que se aposentou de forma voluntária em março de 2026. A PF apresentou uma planilha comparando trechos das recomendações enviadas por Willer com o teor de pareceres assinados por Antônio Carlos; em vários casos, o texto do parecer ficou idêntico ou muito semelhante ao sugerido pelo advogado, e os investigadores afirmam que o posicionamento do subprocurador seguiu as recomendações recebidas.

O relatório cita exemplos em que partes das mensagens foram reproduzidas de forma literal em pareceres, com menções a descontos próximos de 90%, ao valor do FII Eldorado, à exclusão de créditos considerados ruins, a laudos sigilosos e à atuação do administrador judicial. Outro caso envolve uma discussão prévia sobre tese relativa à gestão de conta do espólio, seguida por parecer favorável de Antônio Carlos Martins Soares.

Willer Tomaz é investigado pela PF na Operação Sem Desconto, que apura um esquema de fraudes em benefícios do INSS. Em apuração paralela, a PF também investiga suposta lavagem de dinheiro por meio de apostas: entre janeiro de 2025 e julho de 2026, Tomaz teria realizado apostas que somam R$ 6,6 bilhões e registrado prejuízo de R$ 188,5 milhões, segundo dados apresentados em processo contra a casa de apostas.

Nesta sexta-feira (16), a Justiça de São Paulo negou pedido de Tomaz para devolução de R$ 163 milhões que ele alegou ter perdido em apostas online, em ação na 44ª Vara Cível de São Paulo em que alegava vício em jogos e falhas da plataforma.

O relatório da PF ainda aponta que o senador Flávio Bolsonaro foi cadastrado como "usuário master" de uma conta bancária de uma empresa do advogado, cadastro que, segundo os investigadores, dava acesso operacional relevante à conta e sustenta a hipótese de eventual participação econômica ou societária de fato na empresa.

As apurações envolvendo o vazamento de minutas, as relações entre as pessoas citadas e os possíveis efeitos nos processos seguem sob sigilo enquanto as investigações criminais e os procedimentos internos continuam em andamento.

Fonte das informações: Polícia Federal, Superior Tribunal de Justiça e Justiça de São Paulo

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