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  • 12 Oct, 2026

Investigação aponta envio entre 2017 e 2023, movimentação de mais de R$40 milhões, uso de documentos falsos e pelo menos 223 menores entre as vítimas.

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 12 pessoas por integrar uma organização criminosa que atuava no envio ilegal de brasileiros aos Estados Unidos. Segundo a investigação, o grupo operou entre 2017 e 2023 e viabilizou ao menos 673 travessias clandestinas, caracterizando um dos maiores esquemas de contrabando de migrantes já registrados no país.

A denúncia, apresentada à Justiça na semana passada, aponta que a quadrilha era comandada por membros de uma mesma família de Governador Valadares (MG). Dois irmãos eram identificados como líderes, responsáveis pela captação das vítimas e pela logística até a fronteira entre México e Estados Unidos. O pai e outros parentes também teriam participado, totalizando cinco familiares entre os 12 denunciados. Todos respondem em liberdade.

Os procuradores atribuem ao grupo os crimes de organização criminosa transnacional, contrabando de migrantes, uso de documento falso e lavagem de dinheiro. A estimativa é que o esquema tenha movimentado mais de R$ 40 milhões.

As investigações identificaram que os traficantes cobravam entre R$ 50 mil e R$ 100 mil por pessoa. Além do pagamento em dinheiro — com mais de 300 operações bancárias diretas mapeadas em contas abertas com documentos falsos ou em nome de terceiros —, as vítimas eram obrigadas a entregar veículos, assinar notas promissórias, formalizar termos de confissão de dívida e outorgar procurações para a alienação de imóveis em favor de operadores do esquema.

O grupo também exigia que os migrantes gravassem depoimentos nos quais agradeciam e elogiavam o serviço prestado; esses vídeos eram reutilizados como ferramenta de recrutamento para novas vítimas. Procuradores relataram ainda que adultos eram incentivados a realizar a travessia acompanhados de crianças para reduzir o risco de deportação ao chegarem aos EUA.

A Operação Siblings, da Polícia Federal, que investigou o caso, apontou que pelo menos 223 das pessoas enviadas eram menores de idade.

Abaixo, um resumo dos principais números levantados pela investigação.

IndicadorValor
Período investigado2017–2023
Pessoas enviadas aos EUAAo menos 673
Dentre elas, menores de idadeAo menos 223
Pessoas denunciadas12
Membros da mesma família entre os denunciados5
Valor cobrado por pessoaR$ 50.000 a R$ 100.000
Operações bancárias mapeadasMais de 300
Movimentação estimadaMais de R$ 40 milhões

Fonte das informações: Ministério Público Federal (MPF)

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