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Relatório aponta que ofertas falsas em Facebook e TikTok atraíram 1.500 menores desde 2021; quase metade são indígenas e 40% são meninas em combates.
A Human Rights Watch (HRW) denunciou nesta segunda-feira (24) que as plataformas Facebook e TikTok têm falhado em detectar, remover e impedir a divulgação de conteúdo usado por grupos armados na Colômbia para recrutar menores. A ONG afirma que os algoritmos dessas redes parecem, inclusive, promover as mensagens de recrutamento.
A investigação da HRW aponta que ofertas de trabalho enganosas e publicações que “glorificavam a vida armada” atraíram pelo menos 1.500 menores desde 2021. Segundo o relatório, o uso de redes sociais contribuiu para um aumento drástico no recrutamento infantil, em um país marcado por seis décadas de conflito em que guerrilhas e narcotraficantes já recrutavam crianças e adolescentes.
Os menores recrutados são usados principalmente para combate, obtenção de informações e operação de drones. Quase metade dos afetados é indígena; as meninas representam 40% dos casos e estão particularmente expostas à violência sexual.
Para atrair jovens, grupos armados exibem dinheiro e joias, mostram acampamentos e divulgam conteúdo com narcocorridos, vendendo um estilo de vida de “dinheiro fácil”. Em comentários às publicações, usuários chegam a perguntar como ingressar em organizações como o cartel Clan del Golfo, o ELN e dissidências das Farc — estas últimas, segundo a HRW, são responsáveis por 74% dos casos documentados.
“As plataformas digitais precisam reconhecer que estão sendo usadas para o recrutamento de meninas e meninos”, afirmou Juanita Goebertus, diretora para as Américas da HRW, durante a apresentação do relatório em Bogotá. Mathew Charles, ex-assessor do Unicef na Colômbia, afirmou que os conteúdos promovem um estilo de vida que agrava a vulnerabilidade de jovens.
A ONG informou ter notificado a Meta (controladora do Facebook) e a ByteDance (controladora do TikTok). Ambas disseram ter removido conteúdos apontados pela HRW e afirmaram adotar medidas para combater o recrutamento de menores nas plataformas.
Em paralelo, o governo colombiano realiza uma ofensiva militar contra grupos armados. O relatório menciona que o presidente Abelardo de la Espriella, empossado há menos de um mês, tem promovido ações contra esses grupos com apoio dos Estados Unidos e de Israel.
Principais dados levantados pela investigação:
| Item | Valor |
|---|---|
| Menores recrutados desde 2021 | 1.500 |
| Percentual de indígenas entre os afetados | Quase 50% |
| Participação de meninas | 40% |
| Grupos responsáveis (maior participação) | Dissidências das Farc — 74% |
| Principais funções atribuídas aos menores | Combate, coleta de informações, operação de drones |
Fonte das informações: g1.globo.com
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