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  • 10 Jun, 2026

Estudos da Unir mostram que mercúrio de garimpo vira metilmercúrio, biomagnifica em peixes e provoca danos neurológicos, com risco maior a gestantes e crianças.

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O uso prolongado de mercúrio na garimpagem de ouro em Rondônia provocou impactos significativos à saúde pública, segundo uma série de estudos da Universidade Federal de Rondônia (Unir). A principal via de contaminação humana identificada é a ingestão contínua de peixes contaminados.

Pesquisas conduzidas entre 2013 e 2023 mostram como ocorre a contaminação. O mercúrio metálico lançado nos rios sofre transformação biogeoquímica e vira metilmercúrio, uma forma orgânica muito mais tóxica. Esse composto se acumula nos organismos aquáticos e se biomagnifica na cadeia alimentar, resultando em concentrações mais altas em peixes carnívoros, que são consumidos por populações ribeirinhas.

O metilmercúrio apresenta alta capacidade de circulação no organismo e consegue atravessar a barreira hematoencefálica, afetando o sistema nervoso. Estudos recentes apontam para efeitos como perda de coordenação motora, tremores e alterações neurológicas e psiquiátricas, incluindo déficits de memória, depressão, ansiedade e irritabilidade.

Grupos mais vulneráveis são gestantes e crianças. Investigações realizadas em comunidades ao longo do rio Madeira detectaram níveis preocupantes de mercúrio no cabelo e no leite materno de mães locais. O metal pode ser transferido da mãe para o feto durante a gestação e para o bebê pela amamentação, interferindo na formação do sistema nervoso e provocando atrasos motores e cognitivos na infância.

Pesquisas também investigam a relação entre acúmulo de mercúrio e tumores do sistema nervoso central. Uma tese de doutorado que avaliou pacientes submetidos a retirada cirúrgica de tumores em Porto Velho encontrou correlação entre a quantidade de mercúrio nos tumores e os níveis do metal no cabelo e no sangue dos mesmos pacientes, indicando que a exposição acumulada ao longo da vida pode concentrar-se nesses tecidos.

Os estudos citados, realizados por pesquisadores da Unir entre 2013 e 2023, apontam para um quadro que exige vigilância epidemiológica, monitoramento ambiental e medidas de saúde pública voltadas à proteção de populações ribeirinhas e grupos vulneráveis.

Fonte da imagem: Foto: Reprodução

Fonte das informações: Universidade Federal de Rondônia (UNIR)