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  • 14 Oct, 2026

Endividamento das famílias chegou a 81,6% em junho e inadimplência a 29,9%; Porto Velho recuou para 85,6%, porém mantém níveis acima da média nacional.

O endividamento das famílias brasileiras chegou a 81,6% em junho de 2026, enquanto a inadimplência ficou em 29,9%, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Os índices permaneceram estáveis em relação a maio, mas continuam acima dos registrados em junho de 2025, quando o endividamento era de 78,4% e a inadimplência de 29,5%.

Para José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, a estabilização da inadimplência e a melhora nos prazos de pagamento em junho trazem alívio ao consumidor. Ele ressalta, porém, a necessidade de que os efeitos do programa Desenrola avancem em paralelo com uma redução progressiva da taxa Selic pelo Copom.

Em Porto Velho, a pesquisa aplicada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Rondônia (Fecomércio/RO) aponta retração do endividamento na capital: passou de 86,9% em maio para 85,6% em junho, recuo de 1,5 ponto percentual. Na comparação anual, houve leve queda frente a junho de 2025 (86,1%), equivalente a cerca de 0,6 ponto percentual.

Apesar da redução, Porto Velho permanece em situação mais crítica que a média nacional: o endividamento local está 4,9 pontos percentuais acima da média do país. Além disso, 36,4% das famílias da capital têm contas em atraso e 13,1% declararam não ter condições de quitá-las.

Raniery Araujo Coelho, presidente da Fecomércio/RO, atribui a queda do endividamento ao comportamento mais cauteloso dos consumidores diante de um cenário de incerteza econômica. Segundo ele, a percepção de inflação elevada, as incertezas no mercado internacional — incluindo efeitos sobre os preços dos combustíveis — e a preferência por compras de menor valor durante as comemorações explicam a maior seletividade nos gastos.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) também mostra mudanças na composição das dívidas em nível nacional. O grupo que se considera “pouco endividado” cresceu de 33,3% para 34,2% entre maio e junho, enquanto a parcela que se classifica como “muito endividada” subiu levemente de 17,0% para 17,2%. A fatia de consumidores que declarou não ter condições de pagar suas dívidas caiu de 12,3% para 12,2% no mesmo período.

Embora as melhorias sejam tímidas, elas interrompem a sequência de deterioração observada nos meses anteriores. Raniery Coêlho vê sinais de recuperação do humor do comércio, citando a geração de empregos e a entrada de capitais estrangeiros — fatores que podem pressionar o dólar para baixo — como potenciais catalisadores para uma leve alta do consumo.

Persistem, entretanto, riscos que limitam a retomada do poder de compra: a inflação continua sendo o principal freio. Enquanto os preços não cederem de forma consistente, a recuperação da saúde financeira das famílias dependerá mais do controle individual de gastos do que de ventos macroeconômicos favoráveis.

Porto Velho deu um passo na direção certa ao registrar a primeira queda relevante do endividamento após meses de recordes, mas os níveis atuais — 85,6% na capital contra 81,6% da média nacional — indicam que o caminho para o equilíbrio financeiro ainda é longo para muitas famílias.

Fonte das informações: Confederação Nacional do Comércio (CNC); Fecomércio/RO; assessoria.

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