Carregando...

  • 22 Apr, 2026

A universalização do saneamento na Amazônia Legal pode gerar R$ 330 bilhões em benefícios até 2040, melhorando saúde, economia e meio ambiente na região.

A universalização do saneamento básico na Amazônia Legal pode oferecer benefícios socioeconômicos de quase R$ 330 bilhões até 2040, conforme um estudo divulgado pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a Ex Ante Consultoria. A pesquisa indica que à medida que aumenta o acesso à água potável, coleta e tratamento de esgoto, ocorrerão impactos positivos na saúde da população, produtividade econômica, turismo e preservação ambiental.

A Amazônia Legal é composta por nove estados: Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Pará, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso, que juntos representam 772 municípios e 26,6 milhões de habitantes, aproximadamente 13% da população brasileira.

Apesar de alguns avanços desde 2000, a situação do saneamento básico na região ainda é alarmante. Em 2022, mais de 9,4 milhões de pessoas não tinham acesso à água tratada e 21,9 milhões não contavam com coleta de esgoto. Apenas 16,8% do esgoto gerado foi tratado antes de ser despejado no meio ambiente, resultando em 851 milhões de metros cúbicos de esgoto residencial sem tratamento sendo lançados nos rios da região anualmente.

Diante desse cenário, especialistas afirmam que a universalização do saneamento deve ser uma prioridade até 2040, ano em que esperam que essa meta seja alcançada. O valor estimado de R$ 330 bilhões considera o saldo líquido entre os ganhos e custos sociais totais.

Os benefícios diretos projetados são de R$ 273,7 bilhões, oriundos da renda gerada por investimentos, atividades de saneamento e impostos. Além disso, estima-se R$ 242,9 bilhões em redução de perdas relacionadas a custos com saúde, aumento da produtividade, valorização imobiliária e desenvolvimento do turismo. Os custos sociais, que incluem investimentos e aumento das despesas familiares, devem somar cerca de R$ 186,5 bilhões.

Luana Pretto, presidente do Instituto Trata Brasil, ressaltou que a universalização do saneamento é vital para a melhoria da qualidade de vida nas comunidades locais. Ela destacou a importância dos R$ 330 bilhões em ganhos, que podem contribuir para a recuperação de áreas degradadas e a melhoria das condições de vida das populações tradicionais e vulneráveis na região, além de impactar positivamente o ecossistema brasileiro.

Pretto enfatizou que garantir acesso pleno a serviços básicos transformará a vida de milhões de pessoas, promovendo saúde, dignidade e desenvolvimento sustentável para as futuras gerações.

O relatório aponta que os benefícios acumulados poderão atingir R$ 972 bilhões após 2040, resultando em um retorno de R$ 5,10 para cada R$ 1 investido em saneamento, superando as expectativas para o Brasil como um todo.

Os maiores ganhos líquidos devem ocorrer nos estados do Pará (30,4%), Maranhão (19,1%) e Mato Grosso (16,1%). Quanto ao retorno per capita, Rondônia (R$ 1.049), Acre (R$ 894) e Amazonas (R$ 817) figuram no topo da lista.

Entre as capitais, Rio Branco (AC) lidera com um retorno estimado de R$ 735,93 por habitante, seguida de Porto Velho (RO) com R$ 706,14 e Macapá (AP) com R$ 650,65. Outras capitais também apresentam importantes retornos per capita, como Belém (PA) com R$ 461,60, Manaus (AM) com R$ 384,79, São Luís (MA) com R$ 341,16, Cuiabá (MT) com R$ 217,64, Palmas (TO) com R$ 157,53 e Boa Vista (RR) com R$ 87,83.

Fonte da imagem: MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

Fonte das informações: Instituto Trata Brasil e Ex Ante Consultoria