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O novo documentário de Petra Costa, “Apocalipse Tropical”, analisa a ascensão do conservadorismo no Brasil e a influência evangélica na política, destacando momentos cruciais até os eventos de 8 de janeiro de 2022.
O serviço de streaming Netflix lançou recentemente o documentário “Apocalipse Tropical” (2024), dirigido por Petra Costa. O filme ganhou destaque após a sua estreia no Festival de Veneza de 2024, onde recebeu elogios da crítica.
O documentário se destaca pela capacidade de Petra em capturar imagens impactantes e realizar uma pesquisa aprofundada, incluindo registros históricos como a construção de Brasília e entrevistas que refletem os momentos políticos significativos desde a era pré-Bolsonaro até o motim contra a democracia em Brasília em 8 de janeiro de 2022.
A narrativa do filme segue uma ordem cronológica, que oferece um retrato conciso e claro da interação entre as igrejas evangélicas e a política brasileira. O documentário analisa a ascensão da extrema direita e o papel crucial das igrejas na composição do atual cenário político, destacando como essas instituições influenciam legislações em benefício de pautas conservadoras.
A figura do pastor Silas Malafaia é central na narrativa, sendo abordada a sua influência sobre o rompimento com o PT e como isso abriu caminho para a ascensão política da extrema direita. O documentário salienta a mudança de paradigmas que a proposta conservadora trouxe ao governo federal.
Petra Costa utiliza uma linguagem direta e objetiva em sua narração, oferecendo uma análise jornalística que enriquece a interpretação das imagens. O filme não hesita em focar em eventos significativos da política brasileira, como a ascensão de Jair Bolsonaro e seu apoio por líderes religiosos.
Cenas do Congresso Nacional, como a do deputado Cabo Daciolo realizando um círculo de oração com obreiros, ilustram a forma como a religião foi integrada no espaço político. Esse fenômeno está ligado ao fortalecimento da “Bancada evangélica” e como as pautas conservadoras começaram a dominar as discussões no Parlamento.
As declarações de Silas Malafaia reafirmam a sua intenção de transformar o Brasil em uma nação cristã, ressaltando sua aliança com Bolsonaro como uma escolha para promover valores considerados tradicionais e familiares.
O documentário também aborda o afastamento de Luiz Inácio Lula da Silva das eleições de 2018, consequências da Operação Lava Jato e a figura do juiz Sérgio Moro. Lula foi preso por 580 dias, um fator que impactou diretamente as eleições e o panorama político do país.
Petra Costa relata a campanha de Bolsonaro, caracterizada por discursos de ódio contra o PT e a exploração de informações falsas, que resultaram em forte apoio evangélico. O episódio da facada que o presidente sofreu é mostrado como um momento que reforçou seu status entre os eleitores.
Após a vitória de Bolsonaro, o documentário explora como Malafaia fez parte desse processo, promovendo uma mobilização em torno do presidente e apoiando a ascensão de representantes conservadores.
As influências evangélicas no Brasil são traçadas desde a década de 1960, quando os EUA, temerosos do comunismo, começaram a intervir na política brasileira, culminando no golpe de 1964 e na propagação do conservadorismo religioso no país.
O filme também registra a crise enfrentada durante a pandemia de Covid-19, a resistência popular e as implicações do conservadorismo. A diretora demonstra que os partidos de esquerda falharam em manter um diálogo com o público evangélico, o que se tornou uma questão crucial nas eleições subsequentes.
No final do documentário, a disputa eleitoral entre Lula e Bolsonaro é mostrada, onde a situação política se tornou explosiva, culminando nos eventos de 8 de janeiro. O filme, portanto, se apresenta como um registro essencial de um momento decisivo da história do Brasil.
Fonte da imagem: Reprodução
Fonte das informações: Rondoniaovivo
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